Resgate da naturalidade do nascer pelo parto normal, tirar a ideia de que parto normal é sinônimo de sofrimento. Foi pensando nisso e também por 'afinidade' com o tema que um grupo de enfermeiras de Cascavel se uniu para mudar o conceito do sofrimento do parto normal e 'humanizar' os nascimentos de crianças. Além de enfermeiras especializadas em saúde da mulher e obstetrícia, o grupo também conta com acupunturista e fisioterapeuta.
O grupo "Maternar" é formado por Tatiane Cavalcanti Frank, Alessandra Engles dos Reis, Jéssica da Silva Zielinski, Andressa Moratto, Jhonny Cleverson Reis e Michela Patrícia Engles e a fisioterapeuta Gláucia Ritter Breda.
Entre os diferenciais do 'parto humanizado' está a possibilidade de ele ser feito em casa e até mesmo na banheira, igual ao parto do filho da modelo brasileira Gisele Bündchen. "O parto normal é um conceito tão antigo e ainda assim parece tão novo em alguns aspectos. O parto na água está cada vez mais em voga", comenta Alessandra. "Muitas pessoas ainda não sabem, mas agora, quem quiser fazer o parto na água, ou mesmo o parto humanizado, é possível".
Com muitos anos de 'prática', mas também de estudo, as enfermeiras contam com muitos partos no currículo. Uma informação bastante feliz, segundo elas é que até hoje nenhum bebezinho foi perdido. "Todo o procedimento é feito com o maior cuidado, com toda a assistência possível", diz. "O 'aparato' pode ser 'simples', mas é profissional".
O parto pode ser feito em casa ou no hospital, de acordo com a decisão da gestante. "Tem mulher que prefere em casa, por essa questão de acolhida de segurança de estar em casa, como também existem aquelas que querem o parto na banheira, mas no hospital", explica. "Alguns hospitais já têm essa abertura. Para o próximo mês estamos com dois desses agendados".
Entre os inúmeros benefícios que o parto normal humanizado pode oferecer, segundo elas, estão a 'acolhida' ao bebê - que nasce na hora certa - além é claro da recuperação da mãe. A enfermeira Jéssica argumenta que quando o bebê nasce de parto normal, ele vem 'pronto'. "O pulmãozinho está pronto, o bebê está 'maduro', sem contar que as contrações além de serem avisos de que a criança está chegando, também funciona como preparação para a vida extrauterina".
Alessandra destaca ainda que a literatura explica que crianças nascidas de parto normal são capazes de se tornarem adultos mais 'centrados' e até mesmo mais 'saudáveis'. "O toque carinhoso faz muita diferença para a criança, que até mesmo produz mais anticorpos, e o parto também proporciona isso".
Elas contam também, que os bebês que trouxeram ao mundo de forma humanizada podem ser até mesmo considerados "zen". "O relato das mães são de crianças tranquilas, saudáveis, que mamam e dormem. Não tem choros, não tem problemas".
Para as mães a recuperação também é rápida. "Pode parecer inacreditável, mas algumas mães passam pelo trabalho de parto, a criança nasce e elas saem do parto direto para o banho, almoçam ou jantam com a família, sobem escadas, normal, como se não tivessem acabado de ter um bebê".
Nascendo na água
O parto na água vem 'ganhando adeptas' à medida que os benefícios são divulgados. Na banheira ou na piscina inflável, com água aquecida a 37º o relaxamento proporcionado é capaz até mesmo de diminuir a dor das contrações. "Não adianta dizer que não dói nada porque estaria mentindo", diz Alessandra. "A dor existe sim, porém, cada um possui um limiar, algumas pessoas sentem mais, outras menos".
Ela explica que a água ameniza essa dor e que outros equipamentos simples, também ajudam. "Temos bolas que massageiam a região do períneo também ajudando no relaxamento e muitas outras coisas".
Equipe coloca por terra o conceito de dor e sofrimento no parto natural...
Publicado em 11 de Abril de 2010, às 9h24min | Patrícia Sonsin | Fonte: Viviane Nonato/GP
Quando o bebê nasce ele vai direto para o seio materno e assim que a pulsação do cordão umbilical para, ele é cortado. "Quando as pressões de mãe e filho se estabilizam para a pulsação no cordão, é esse o momento correto de cortar".
Uma dúvida frequente das pessoas é em relação a existir 'perigo de afogamento da criança por ela nascer na água'. Elas explicam que isso é impossível, já que "o bebê na barriga da mãe está literalmente 'nadando' no líquido aminiótico, ele respira através do cordão umbilical e quando ele sai da barriga, ele sai de líquido para líquido, o estranho é não estar na água". "Ele está acostumado com a água, não tem choque, não tem susto para ele".
'Parteiras contemporâneas'
No trabalho as enfermeiras são até chamadas de 'parteiras contemporâneas'. Elas não negam o título, muito pelo contrário, o são. Mas, saudosismo a parte, diferente das 'parteiras' de antigamente, todo o trabalho feito por elas possui aval médico e se necessário, socorro imediato. "Temos equipamentos para monitorar os batimentos cardíacos do bebê, temos aspirador se necessário e, além disso, mesmo não tendo um médico que esteja presente na hora do parto, sempre temos um de sobreaviso", conta. "Nunca precisamos, mas temos todos os 'aparatos' de segurança".
Elas contam que recentemente fizeram um parto na água na casa de uma gestante residente na área rural de Cascavel. Tudo foi planejado e estudado, para caso ocorresse algum problema. "Não chegamos simplesmente pegando uma gestante na rua, sem conhecê-la e fazemos o parto, temos todo um acompanhamento durante a gravidez, e planejamos minuciosamente os detalhes", enfatiza. "Nesse da área rural, fomos antes, conhecemos o local, percorremos e calculamos o tempo necessário para chegar até o hospital mais próximo".
Nos centros cirúrgicos, uma grande preocupação é com a esterilização de materiais. Essa mesma preocupação existe com as 'parteiras' que tomam todo o cuidado necessário.
Fonte: http://www.cgn.inf.br/?system=news&action=read&id=59408